segunda-feira, 12 de junho de 2017

A rota do tráfico de crianças.



A rede internacional de tráfico movimenta crianças do mundo inteiro. No Brasil, desde pequenas cidades, favelas de grandes centros urbanos até campos de mineração nas fronteiras do país. A nossa fronteira Brasil/Paraguai é frágil, pouco vigiada, as autoridades não pedem identificação para as crianças acompanhadas e nem para as desacompanhadas. O tráfico de crianças visa sobretudo a lucratividade.
O Protocolo Opcional à convenção sobre Venda de Crianças, Prostituição e Pornografia Infantis, em 1999 , oferece definições claras para o tráfico de crianças:
"O tráfico é um ato de violência, mas a violência propriamente dita nem sempre é empregada. Por exemplo, há casos em que a situação de vulnerabilidade da vítima do
tráfico, não permite que ela faça escolhas, como a situação do imigrante ilegal e ainda casos de abuso do poder. A expressão tráfico de crianças engloba o tráfico de meninas, meninos e jovens, o aliciamento, o transporte, o abrigo, o traslado entre uma região e outra, qualquer proposta de exploração. O tráfico de crianças e de adolescentes pode ocorrer para fins de adoção ilegal, pornografia, comércio de órgãos, casamento precoce ou trabalho forçado.
ADOÇÃO ILEGAL

Apesar das novas leis o tráfico de crianças continua em todas as regiões do Brasil. O indicador para o Norte, Nordeste e Centro Oeste é o turismo sexual, o lenocínio e no Sudeste o turismo sexual, a prostituição e a pornografia. Já no Sul os indicadores são a prostituição e a adoção ilegal.

O que mais facilita o tráfico de crianças é a facilidade com que conseguem entrar com pessoas em outros países e para isso usam a corrupção que começa pela polícia que ajuda os traficantes a passarem os limites do território, dando-lhes dinheiro e a liberdade de escolherem moças e crianças para satisfazerem seus desejos sexuais. Além disso é fácil promover o lenocínio pois as próprias famílias entregam seus filhos para trabalharem fora, às vezes até mesmo sabendo o que acontecerá à elas, ou quando as vítimas são tiradas a força.
No que se refere à adoção internacional de criança, nos anos de 1980 a 1990, 19.071 crianças brasileiras já eram adotadas por famílias no EUA e na Europa, e sua
situação após a adoção era uma incógnita. Em Goiás e no Ceará também houve denuncias de esquema de adoção internacional irregular, após cinco anos de
investigação, a Polícia Federal prendeu 16 pessoas. No Ceará a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do tráfico de bebês constatou que num total dois mil
processos de adoção internacional, 1.900 são processos fraudulentos. No Rio de Janeiro também foram identificadas redes de tráficos de crianças, essas redes usavam creches e até missões religiosas.


Fonte: Desaparecidos do Brasil.

Autoria: Amanda Boldeke - Junho de 2011.

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